CURSO BÍBLICO: FUNDAMENTOS DA FÉ CRISTÃ
Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br)
LIÇÃO 3 – RAZÃO E RACIONALISMO
Texto devocional: “Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3.15).
[1] Introdução:
a. Histórico: a Idade Média caracterizada pelo predomínio da Igreja Católica tem sido chamada de Idade das Trevas. Em contraste, o período que se seguiu é chamado de Renascença e Iluminismo. O desenvolvimento tecnológico e o avanço da ciência moderna levaram ao otimismo positivista e à esperança de resolver todos os problemas sem ajuda de Deus.
b. Reflexão: Qual o papel da mente na vida cristã? Qual o papel da fé? Qual o papel da lógica na exposição do evangelho? Fé sem mente pode descambar para fanatismo. Mente sem fé leva ao desespero.
[2] Definição de conceitos:
a. Razão: faculdade que tem o ser humano de avaliar, julgar, ponderar idéias universais; raciocínio, juízo; de estabelecer relações lógicas, de conhecer, de compreender, de raciocinar; raciocínio, inteligência; juízo; prudência (Aurélio);
b. Racionalismo (razão): obter conhecimento a partir exclusivamente da razão, sem aceitar qualquer outra fonte de conhecimento, a não ser o que se pode verificar e controlar; a mente é o crivo de verdade;
c. Fé: resposta do homem à revelação de Deus na Palavra e em Cristo (Hb 1.1); subjetivamente é a confiança na orientação íntima do Espírito Santo;
d. Revelação: se há um Deus pessoal, então ele fala; o homem, criado à imagem e semelhança de Deus, se distingue pela fala; então é perfeitamente aceitável que Deus se comunique com o homem;
[3] Fontes de conhecimento:
"De onde lhe vem essa sabedoria?" (Mt 13.54).
a. Razão: a razão não é suficiente para alcançar o conhecimento de Deus; “destruirei a inteligência dos inteligentes” (1Co 1.19) significa não a destruição de toda inteligência, mas a daqueles que se julgam capazes de compreender tudo (Mt 11.25-27 – oculta dos entendidos e revela aos humildes).
b. Revelação: todo conhecimento sobre Deus só pode ser fornecido e esclarecido pelo próprio Deus (Rm 1,19; 1 Co 13, 9-12; 2 Co 4,6; 1 Tm 2,3-4)
[4] Alguns erros contra a razão:
a. Antiintelectualismo: a ciência é vista como inimiga da fé; por medo de perder o amor e a fé, muitos cristãos têm desprezado o estudo e o intelecto;
b. Formalismo: ênfase na liturgia e sacramentos (ex. católicos);
c. Ativismo: ênfase em obras sociais; ecumenismo (ex. crentes radicais);
d.
Experiência:
ênfase na experiência; o dom de línguas é considerado uma forma de excluir a
mente e evitar o orgulho (ex. crentes pentecostais, carismáticos);
[5] Exemplos de emprego da razão na Bíblia:
a. Jesus apela à razão nas parábolas, nos sermões, nos debates e nunca condenou o conhecimento (Mt 13 - parábola do semeador – ouve e não entende; “amarás a Deus de todo entendimento” Mt 22; abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras – Lc 24.45).
b. Paulo cita freqüentemente em suas cartas termos como:
i.saber (Rm 6.3,6,9; Ef 1.17), entender (Rm 12.2; 1 Co 2.14; 14.20; Ef 1.18);
ii.conhecer (Ef 4.13; Fp 3.8; Cl 1.10);
iii.não ignorar (Rm 11.25; 1Co 10.1; 12.1; 1Ts 4.13)
c. João: “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (5.20);
d. Filipe ao eunuco: “Entendes tu o que lês?” (At 8.30)