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O Ensino Bíblico Gravuras

CURSO BÍBLICO: FUNDAMENTOS DA FÉ CRISTÃ

Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br)

LIÇÃO 22 – DOUTRINA DA SANTIFICAÇÃO (3ª parte)

 

Texto bíblico: “... o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e, sim, da graça” (Rm 6.14); “o justo viverá pela fé” (Rm 1.17)

 

[1]          Revisão:

a.Erros comuns:

               i.Ativismo: atribuir a obra de santificação a si mesmo; supor que, uma vez perdoado pela graça, deve agora fazer a sua parte para se tornar santo; confiança no excesso de atividades a fim de obter o favor de Deus.

             ii.Passividade: atribuir a obra de santificação exclusivamente a Deus; supor que assim como Deus nos justificou, ele também nos santificará; aguardar passivamente o tempo de Deus (“quando o Senhor quiser”);  comodismo.

           iii.Perfeccionismo: afirmar que o cristão pode ser invulnerável ao pecado.

 

[2]          Base doutrinária da santidade (Rm 6.1-10):

a.Redação: 1ª pessoa do plural e o verbo no tempo passado e na voz passivo — fomos batizados, fomos sepultados — indica a obra que Deus já fez em nós e o novo estado do nosso ser — com Cristo e em Cristo.

b.Ênfase: SER

c. Argumentação:

               i.1ª pergunta: se a salvação está baseada apenas na graça, então somos incentivados ao pecado, para que haja cada vez mais graça.

             ii.Refutação: o salvo pela fé não pode viver em pecado, porque está morto para o pecado por meio da morte substitutiva de Cristo.

 

[3]          Análise do texto (Rm 6.1-10):

a. Morte para o pecado (6.2): o cristão foi identificado com Cristo na morte; significa não estar sob o domínio do pecado (6.14); antes da conversão, todos estavam sob o domínio do pecado (3.9, 23).

b. Batismo (6.3,4): é o meio pelo qual todos os benefícios de Cristo são compartilhados com o cristão; do gr. baptizo, significa imerso com efeitos permanentes; Cristo morreu COMigo e eu morri com Ele.

c. Unidos com ele (6.5): não se trata de união mística do ser de Cristo com o do cristão, mas de total identificação com Cristo de modo a usufruir de sua morte (6.8), sepultamento (6.4) e ressurreição (6.4,5); "plantados juntamente com Ele na semelhança... da sua ressurreição" (6:5).

d. Velho homem (6.6): o antigo modo de vida, sujeito ao pecado (Ef 2.1-3).

e.Corpo de pecado: os membros do corpo como instrumentos de injustiça.

f. Pecado (6.6): do gr. hamartia, personificado como um senhor cruel que oprime e tortura sua vítima; a única solução é a morte (Rm 7.1-6). 

g. Penalidade (7-10): uma pena não pode ser cobrada duas vezes. O cumprimento da pena — a morte — cancela todas as obrigações legais.

h. Substituição: o homem deve morrer uma única vez (Hb 9.27); o cristão já morreu uma vez com Cristo (6.10); logo, o cristão não está sujeito à morte. 

i.   Nova vida (6.7,8): se o cristão foi justificado mediante a morte de Cristo, então ele também será santificado pela sua ressurreição.

j.  Libertação:

               i.Do pecado: “não sirvamos o pecado como escravos” (6.6); “de uma vez, morreu para o pecado” (6.10); “porque o pecado não terá domínio sobre vós” (6.14).

             ii.Da morte: “ a morte já não tem domínio sobre ele” (6.9).

           iii.Para Deus: “mas quanto a viver, vive para Deus” (6.10).

 

[4]          Implicações práticas da santificação (Rm 6.11-14):

a.Redação: verbo no imperativo — considerai-vos, oferecei-vos — indica a conduta que o novo homem em Cristo deve ter; o cristão deve agir pela fé sobre estes fatos.

b.Ênfase: FAZER

c. Argumentação:

               i.Antes nós servíamos ao pecado para a injustiça e morte.

             ii.Agora, libertos do pecado, devemos nos oferecer ativamente para a prática do bem e da justiça para a vida

 

[5]          Análise do texto (Rm 6.11-14):

a.Considerai-vos (6.11): com base na graça de Deus (passivo), o cristão deve agir de acordo com a sua nova condição (ativo).

b.Comandos negativos:

               i.não permitir que o pecado governe a vida — ‘não reine o pecado’ (6.12).

             ii.não participar de más obras — ‘não ofereçais... os membros ao pecado’; o presente do imperativo implica parar algo que estava sendo praticado.

c. Comandos positivos:

               i.Ser santo para Deus — ‘mas oferecei-vos a Deus’ (6.12; 12.1).

             ii.Participar de toda boa obra — ‘e os vossos membros a Deus como instrumentos  de justiça’; o verbo implica ação repetida continuamente, sem cessar (dia-a-dia).

 

[6]          Autoridade e obediência na vida cristã (Rm 6.15-23):

a.Ênfase: obedecer.

b.Argumentação:

               i.2ª pergunta: declarar os homens justos permite a vida em pecado?

             ii.Refutação: a fé em Cristo não torna o cristão livre para pecar, mas o transfere para outro domínio — o de Cristo.

           iii.Autoridade: o cristão perdoado não está livre de autoridade nem de leis, mas deve amar e obedecer ao seu novo Mestre; deve ignorar o antigo com base na morte e vida de Cristo (6:16); não é possível servir a dois mestres (Mt 6:24; Tg 4:4); o cristão deve seguir a doutrina da graça (6.17).

c. Obediência (6.16): mostra a quem servimos; os frutos (conduta) revelam a árvore; servir o pecado resulta em morte; servir a Cristo resulta em vida.

d. Frutos: somente a obediência a Deus produz os frutos de justificação na vida do cristão (6:21-22). 

 

[7]          Para refletir:

a.Relação com Deus: Quão perto do pecado eu posso estar sem perder a bênção de Deus? Quão próximo de Deus eu quero estar?

b.  Obediência: se a essência do pecado é a desobediência, a essência da santidade é a obediência, segundo o exemplo de Cristo; se a marca do pecador é a cobiça, a marca do cristão é a gratidão.