CURSO BÍBLICO: FUNDAMENTOS DA FÉ CRISTÃ
Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br)
A JUSTIFICAÇÃO
LIÇÃO 17 – DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO (2ª parte)
[1] Cenários e personagens da justificação:
a.Cenário: julgamento do homem por sua escolha moral contra Deus e conseqüente perdição do homem perante a lei de Deus; “todos pecaram” (Rm 3.23).
b.Partes envolvidas:
i.Deus: criador, infinito-pessoal, santo por excelência (superlativo hebraico — “santo, santo santo”), justo, não indiferente ao pecado (julgar o homem era uma necessidade justa) e amoroso — sem contradição; único auto-existente; fonte de toda vida e preservador de todas as coisas criadas; “Eu sou a vida” (Jo 14.6).
ii.Homem: criatura à imagem de Deus, finito-pessoal, moralmente responsável, culpado, dependente de Deus em todos os sentidos, dotado de capacidades limitadas, excluído da presença de Deus (fonte de vida) e condenado à morte;
iii.Vida e Morte: se Deus é vida, o não-Deus é morte; se o homem está separado de Deus, segue-se que está morto em todos os sentidos.
iv.Pecado: estado de oposição a Deus que implica em morte integral; erro (flecha viciada, que não acerta o alvo); desvio; envolve incapacidade de obedecer a Deus (não poder), mas também rebelião (não querer).
v.Perdão: por que Deus, sendo Todo-Poderoso, não pode simplesmente perdoar os homens? Porque perdoar implica em sofrer o dano; no caso do homem, o dano era a morte integral (física e espiritual), por isso, para Deus perdoar o homem era necessário que alguém sofresse o dano do pecado, isto é, a morte.
c. Dilema: De um lado um Deus justo, santo e amoroso e de outro o homem "culpado" de morte espiritual (Rm 3.9-20), separado de Deus para sempre (Rm 6.23; Ap 20.11-15) e incapaz de prover sua própria redenção. Somente Deus pode prover a restauração adequada, mas somente o homem é devedor ante a lei de Deus.
d.Anselmo de Cantuária: “Não há ninguém que pode trazer satisfação pelo pecado a não ser o próprio Deus. Mas ninguém deve fazer a não ser o homem; de outra forma o homem não oferece satisfação. É necessário que alguém que seja Deus e homem o faça”.
[2] Benefícios da Justificação:
a.Remissão (perdão) da culpa do pecado: toda culpa verdadeira é contraída perante Deus (At 13.38-39; Rm 4.7 (Sl 32:1-2); 2 Co 5.19,21; Ef 1.7; “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1; Rm 6.23; Ef 4.32; Cl 2.13). Na cruz de Cristo, a condenação foi definitivamente afastada (Rm 8.33-34) e a paz com Deus foi estabelecida para sempre (Rm 5.1; Ef 2.14-17)).
b.Restauração ao favor divino: "o que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia" (Pv 28:13; 1 Jo 1.9); paz, amor e esperança (Rm 5.1-11; 4.6 c/c Sl 32.1-2; 1 Co 1.30; 2 Co 5.21).
c. Imputação da justiça de Cristo: Rm 4.5; 1Co 1.30; 2Co 5.21; Mt 22.11 (as vestes de núpcias garantiam e eram necessárias para aceitação); Lc 15.22-24 (as vestes no filho pródigo); Rm 4.11; o crente está agora vestido na justiça de Cristo e aceito na comunhão com Deus.
d.Adoção: "O vocábulo... descreve o fato de Deus receber como filho alguém que, legal e espiritualmente, não goza do direito de tê-lo como Pai. A partir deste momento, passa esse alguém a desfrutar de todos os privilégios que Deus, desde a mais remota eternidade, preparou àqueles que aceitam a Cristo como o único e suficiente Salvador" (Dic Teológico, Claudionor Corrêa de Andrade).
i. adoção espiritual (novo nascimento): "Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome" (Jo 1:12,13);
ii. adoção jurídica (direito legal); herança (Tt 3.5-7; 1Pe 1.3-4; Rm 8.17); "Deus enviou seu Filho... para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos" (Gl 4:4,5);
e.Vida vitoriosa: Fp 1.11; 1Jo 3.7; Tg 2.14-16 enfatiza a necessidade de uma fé viva, isto é, a indispensabilidade da fé ser verdadeira (fé que transforma e produz obras) em oposição à fé falsa ("pseudo-fé", estéril).
f. Selo de Espírito Santo: ele nos dá segurança na salvação definitiva da vindoura ira de Deus (Rm 5.9; 1Ts 1.10); não depende de emoções ou de experiência; "fostes selados com o Santo Espírito da promessa; o qual é o penhor da nossa herança, até ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória" (Ef 1:13, 14).
g.Descanso: resta ainda um descanso para o povo de Deus (Hb 4.9); “justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus” (Rm 5.1)”
h. Glorificação: consumação da salvação; o Senhor é fiel para concluir a obra que começou em nós (Mt 13.43; Rm 8.30; Gl 5.5; Fl 1.6);
[3] Evidências da justificação:
a.Boas obras: são resultado de um coração reconciliado com Deus; Jesus disse “pelos frutos os conhecereis” (Mt 7.20; Lc 6.43); “boas obras não fazem um homem ser regenerado (salvo), mas um homem regenerado faz boas obras”; “porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10); ver também Mt 5.16; 1 Pe 2.12.
b.Esperança: a certeza de salvação produz esperança (Rm 5.2; 8.24; 1Pe 1.3);
c. Santidade: obra contínua do Espírito Santo na vida da pessoa justificada para produzir semelhança com Cristo; implica em submeter-se a Deus, resistir ao pecado, buscar diligentemente crescer em santidade (Gl 5.22-23).
d.Vitória sobre pecado: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos? (Rm 6.1-2, 22; 7.4); “porquanto Deus não nos chamou para a impureza, e sim para a santificação (1Ts 4.7). A prática do pecado indica ausência de novo nascimento (1 Jo 2.4; 2.19; Hb 12.14; 1 Pe 1.14-16; e 1 Pe 2.21-22.)
[4] Para refletir:
a.Martinho Lutero: “Ansiava muito por compreender a epístola de Paulo aos Romanos, e nada me impedia o caminho senão a expressão: a justiça de Deus, porque a entendia como referindo-se àquela justiça pela qual Deus é justo e age com justiça quando pune os injustos. Noite e dia eu refletia até que captei a verdade de que a justiça de Deus é aquela justiça pela qual, mediante a graça e a pura misericórdia, Ele nos justifica pela fé. Esta passagem veio a ser para mim uma porta para o céu”.
b.Conde Zinzendorf: Jesus, tua veste de justiça é agora minha beleza, minha gloriosa vestimenta. Entre os mundos flamejantes, envolvido em tua justiça, com alegria eu Te exaltarei.
c. “Por uma Vida que não vivi. Por uma Morte que não morri. Na morte de Outro, na vida de Outro, descansará minha alma eternamente.”
d.Outros textos para estudo: At 13.39; Rm 1.17; 3.21-30; 4.25; 5.1,9; 2 Co 5.21; Gl 2.16,17,21; 3.6,8,11,24; Fp 3.9; Tt 3.5,7.