CURSO BÍBLICO: FUNDAMENTOS DA FÉ CRISTÃ
Prof. Eliseu Pereira (eliseugp@yahoo.com.br)
A JUSTIFICAÇÃO
LIÇÃO 16 – DOUTRINA DA JUSTIFICAÇÃO (1ª parte)
Texto bíblico: “a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: o justo viverá por fé” (Romanos 1.17).
[1] Importância da doutrina:
a.Na igreja primitiva: a pregação básica dos primeiros apóstolos era sobre Cristo, sua morte e ressurreição (1 Co 1.22; 2.2).
b.Na Reforma Protestante: “sola fide” ou pela fé somente enfatizada a absoluta exclusividade de Cristo em prover salvação para o homem diante de Deus. O homem não é capaz de realizar nenhum ato em favor de si mesmo e de alcançar a justiça de Deus por nenhum mérito.
i.Forense: o pecador é declarado justo por Deus mediante unicamente a imputação da justiça de Cristo. "Ser justificado aqui não significa que o ímpio é tornando justo, mas que ele é pronunciado justo num sentido forense” (Conf. Augsburgo).
ii.Boas obras: "Boas obras não fazem um homem ser regenerado (salvo), mas um homem regenerado faz boas obras!"
c. Na Igreja Católica: a teologia católica afirma que a justiça de Deus é infundida no homem, devendo este participar para sua redenção.
i.Infusão: a justiça é infundida na vida do crente e transforma a sua vida interior
ii.Boas obras: necessárias para adquirir a benção do perdão de Deus.
[2] Natureza da Justificação:
a. Justificação não é:
i.Absolvição merecida (ter sua inocência reconhecida), por realmente não ter nenhum pecado, por ser perfeito na qualidade de ser bom.
ii. Absolvição imerecida (declarado como inocente, sem o ser) devido à esperteza de advogado e fraqueza do juiz (Rm 3.19).
iii. Perdão, anistia, indulto e segunda chance concedido por juiz que não é justo.
iv. Libertação condicional: ou sob palavra, tornar-se livre com certas restrições.
b.Justificação é: o ato (instantâneo, completo e definitivo) judicial de Deus ao declarar que o pecador que se arrependeu e creu em Cristo (substituto de sua penalidade): 1) não mais será punido; 2) será considerado como sendo JUSTO; e 3) está restaurado ao Seu favor.
[3] Definições:
a.Justificação: “declarar justo”, “inocentar”, “perdoar” com base em Cristo; “O que justifica o ímpio e o que condena o justo... são abomináveis ao Senhor” (Pv 17.15).
b.Sentido jurídico: termo forense (jurídico) relacionado à idéia de absolvição, justificação refere-se ao ato divino em que Deus, santo e justo, torna os humanos aceitáveis diante dele;... o pecador é justificado (absolvido da punição e da condenação do pecado) e levado a um relacionamento com Deus exclusivamente pela fé na graça divina" (Dicionário de Teologia, Grenz, Guretzki e Nordling).
c. “Decisão jurídica conferida ao homem e não uma obra operada no interior do homem; é a dádiva divina de uma posição e de um relacionamento para com Deus e não de um coração novo. Não há dúvida que Deus regenera aqueles a quem justifica, mas essas são duas coisas distintas” (J. I. Packer).
[4] Necessidade de Justificação:
a.Caráter de Deus:
i. Santidade: a santidade de Deus é “a perfeição de Deus, em virtude da qual Ele eternamente quer manter e mantém Sua excelência moral, aborrece o pecado e exige pureza moral em Suas criaturas” (Berkhof).
ii. Justiça: no Antigo Testamento, Deus cobriu os pecados pela observância da lei e, a partir de Cristo, ele “tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).
iii.Amor de Deus: Embora Deus não seja movido por nada externo a ele mesmo, e ele não devesse nada ao homem (a condenação era justa) ele amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho para que todo aquele que nele crer, não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16).
iv.Ira: Deus não é indiferente ao pecado e ao mal; ele não faz vista grossa; ele já decretou que o mal será julgado e não subsistirá; é mediante a cruz de Cristo que Deus retém a ira vindoura (Mt 3.7; Lc 3.7; Jo 3.36; 1 Ts 1.10; Ap 19.15);
b.Situação do homem:
i.Inocência: Deus criou os homens inocentes, isto é, sem pecado e com base em sua bondade e misericórdia, mantinha relacionamento com os homens.
ii.Pecado: o homem, sendo moral, desobedeceu a Deus e passou a sofrer das conseqüências da morte espiritual. "Como, pois, seria justo o homem para com Deus, e como seria puro aquele que nasce de mulher?" (Jó 25.4); "à tua vista não se achará justo nenhum vivente." (Sl 143.2)
iii.Morte espiritual: separação de Deus (Ef 2.1-3; Tt 3.3;Rm 3.23; 5.6-10; Cl 1.21).
c. Substituto: o Filho de Deus, santo, entrega-se voluntariamente em lugar dos pecadores, recebe a punição deles e, mediante esta substituição, aceita por Deus, a justiça é imputada aos homens que crêem (Jo 3.14, serpente no deserto).
[5] Base da Justificação:
a.A vida de Cristo: vida de perfeita obediência à lei de Deus (Mt 3.15; Jo 15.10);
b. Imputação: imputar significa lançar alguma coisa à conta de outra pessoa;
i.Exemplos de imputação: (1) Paulo pede a Filemon que lance a dívida de Onésimo em sua conta (Fm 1.18); (2) Estevão orando para não ser imputado o pecado de seus assassinos (At 7.59-60; (3) Paulo orando para não ser imputado o mal aos que o abandonaram (2 Tm 4.16).
ii.Os pecados dos crentes foram imputados a Cristo: o Santo de Deus sofreu voluntariamente a penalidade de nossa morte diante de Deus (Hb 7.24; 1Pe 2.24);
iii.A justiça de Cristo é imputada aos crentes: Cristo se tornou o responsável legal pelos pecados dos crentes e sua justiça é atribuída a eles (Fp 3.7-9; 1 Co 1.30).
c. Nova aliança: o sangue de Cristo é a base da nova aliança de Deus com os seus eleitos (Jr 31.31-34). O sangue de Jesus nos torna propícios a Deus.
[6] Meio de Justificação:
a. Graça de Deus: é pela graça de Deus que somos justificados (Ef 2.1-10. Rm 3.24; Tt 3.7) Deus nos segundo a Sua misericórdia (Tt 3.5; Ef 2.4-5).
b. Sangue de Cristo: o pecado não podia ser ignorado/ escusado/ indultado/ perdoado, mas punido. O sangue de Cristo foi derramado em nosso lugar como nosso substituto e sobre esta base, Deus perdoa o pecador (Rm 5.9; Hb 9.22).
c. Fé em Cristo: A fé em Cristo (pessoa + obra) é o único caminho, dado por Deus, para o pecador ser justificado. "O homem não é justificado pelas obras da Lei, mas pela fé em Cristo Jesus" (Gl 2.16; 3.8,24; cf. At 13.38-39; Rm 3.28; 5.1; 10.10). Não é fé na fé; a fé apenas a condição para nossa justificação. Paulo considera a fé, não como a causa da justificação, mas como a mão vazia, estendida, que recebe a justiça ao receber a Cristo
[7] Para refletir:
a. Martinho Lutero: “Não há nenhuma palavra na Bíblia que seja extra crucem, que possa ser entendida sem referência à cruz.”